Quarta-feira, Junho 15, 2005
Como as pedras da calçada
O meu corpo é como as pedras da calçada:
Silenciam sua dor à caminhada
De qualquer transeunte indiferente.
Estão gastas, sujas, tristes e pesadas,
Nem se incluem nas paisagens ordenadas
Pelos ventos de teor intermitente.
Água suja escorrendo no vazio
Das pedras, pressentindo o calafrio
Sem saber onde irá desaguar.
Pedras são, assim tão sujas mas banhadas,
Assistindo a intensas alvoradas
Aleitando o mais pesado caminhar.
Na fobia do andar dos caminhantes,
Ou a passos mais ou menos hesitantes,
És a via simplesmente ignorada.
Se tu sofres já não serves de guarida
A quem via em ti o mote para a vida
E agora vê defunta (des)calçada...
Na calçada não existem mais canteiros;
Não há flores nem, tão-pouco, jardineiros
Só Senhores, quão seguros do destino.
Seu olhar empertigado e egoísta,
Ostentando um troféu duma conquista,
Açambarca até o som do próprio sino.
O meu corpo é como a pedra da calçada:
De voz rouca e postura indignada
Quando a cinza predomina no basalto.
Muitas vezes sente o peso dos pneus
- E pergunta se é castigo de Deus -
Dos mil carros que transbordam do asfalto.
Na calçada desaguam desamores,
Negras mágoas de constantes dissabores,
Circulando em ritmo desalinhado.
Desconhecem o perfume da calçada,
O seu brilho, já em plena madrugada,
E seu canto, sopro triste, como um Fado.
Postado por
PÁSSARO DISTANTE
às6/15/2005 06:35:13 PM
Quinta-feira, Junho 03, 2004
Entre o silêncio do ser e a escrita da alma
Eu queria destapar essa agonia
Com os voos desta imaginação
Que se esconde, tal e qual o fim do dia,
Entre os ventos da desorientação.
Eu queria demonstrar minha amizade
E poder-te transmitir «aquele abraço»
Traduzido nas letras desta vontade
Induzida, risco a risco, traço a traço.
Eu queria dar-te um pouco do meu colo
Cantando-te as mais lindas melodias,
Recitando-te os poemas do meu solo,
Aquecendo a lucidez de noite fria.
Eu queria ser um Pássaro presente
Com quem meus amigos possam contar.
Eu sinto-me, muitas vezes, tão doente
E não tenho mesmo jeito de agradar.
Eu queria dar um pouco mais de alento
A quem olha mas não sabe mais sonhar,
Carregando uma vida de tormento,
Compensada no calor que tem para dar.
Eu queria transformar o teu avesso
Que espelha muito bem esse teu verso,
Modificando o meu, eu não me esqueço.
Verso Avesso, ou apenas Reverso?
Postado por
PÁSSARO DISTANTE
às6/3/2004 04:23:15 PM
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